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Tojeong Bigyeol (토정비결): o livro da sorte que a Coreia abre todo janeiro

Todo janeiro, milhões de pessoas na Coreia fazem o mesmo gesto: digitam a data de nascimento lunar e abrem o seu Tojeong Bigyeol (토정비결). É uma leitura do ano inteiro, mês a mês, com versos curtos e um tom de esperança. O nome homenageia um sábio do século XVI muito querido. Aqui a gente conta a sua história, como funciona e por que ele não sai de moda.

Tojeong, o sábio da casa de barro

Lee Ji-ham (이지함) viveu entre 1517 e 1578, na dinastia Joseon. O seu pseudônimo, Tojeong (토정, 土亭), significa algo como «pavilhão de barro». Vem da casinha de terra que ele construiu perto de Mapo, às margens do rio Han, e que, segundo contam, continuou de pé depois de uma grande enchente. Lee Ji-ham foi um erudito pouco convencional e, acima de tudo, alguém preocupado com a gente comum. Foi magistrado de Pocheon e depois de Asan, onde, em tempos de fome, abriu um abrigo para pessoas em situação de rua que funcionava também como lugar para aprender um ofício. Morreu ainda no cargo.

Foi ele mesmo quem escreveu?

A tradição atribui o Tojeong Bigyeol a Lee Ji-ham, mas a história é mais complicada. Vários especialistas acreditam que o livro apareceu bem depois, no fim de Joseon, e que o seu autor usou o nome de Tojeong para dar prestígio à obra. Os registros que falam de consultar o Tojeong Bigyeol para saber a sorte do ano só aparecem depois do reinado do rei Jeongjo, no fim do século XVIII. De qualquer forma, a escolha do nome diz muito: buscou-se um sábio famoso pela bondade com a gente simples. E essa intenção aparece no texto, que distribui esperança nos anos difíceis e prudência nos bons.

Como se calcula, em poucas palavras

O Tojeong Bigyeol não precisa da hora de nascimento, só de três dados: a sua idade no ano consultado e o seu mês e dia de nascimento segundo o calendário lunar. Cada dado vira um número por meio de uma pequena operação que combina as suas informações com valores próprios daquele ano. Assim se obtêm três números: um superior, um do meio e um inferior. O primeiro tem oito possibilidades, o segundo seis e o terceiro três. Oito vezes seis vezes três dá 144 combinações, e cada uma corresponde a uma leitura do livro, com uma mensagem geral para o ano e versos para cada mês. Como a sua idade muda, a sua leitura também muda todo ano.

Um costume de janeiro

Ler o Tojeong Bigyeol virou costume de Ano-Novo a partir do fim de Joseon, principalmente entre a gente comum, que vivia tempos duros e buscava um pouco de luz para o ano que começava. Ele é consultado nas primeiras semanas do ano, em torno do Seollal, o Ano-Novo lunar, junto com outras tradições como o yutjeom com os pauzinhos de yut. O tom do livro ajuda a entender o seu sucesso. Ele não promete milagres nem anuncia catástrofes; alterna avisos e incentivos. Uma das suas mensagens de fundo pode ser resumida assim: a alegria e a tristeza se revezam, então vale não se acomodar nos bons tempos nem desistir nos ruins.

Do livro de papel ao app do banco

Hoje quase ninguém faz a conta à mão. Portais, apps de sorte e até aplicativos de banco oferecem o Tojeong Bigyeol de graça ou por bem pouco, principalmente em janeiro, quando as buscas disparam. É um ritual curto e gentil: alguns minutos para ler como pode ser o seu ano, mês a mês, e escolher uma frase para guardar. O segredo dele é que fala por imagens simples, como o conselho de alguém mais velho. Se você experimentar, encare como um calendário de ânimo: marque na agenda os meses que o texto pinta como de plantio e se dê um descanso nos que pedem paciência.

FAQ

Preciso da minha hora de nascimento para o Tojeong Bigyeol?

Não. Só são usados a sua idade no ano consultado e o seu mês e dia de nascimento no calendário lunar. Por isso é tão fácil de consultar, mesmo quando você não sabe a que horas nasceu.

Por que existem exatamente 144 leituras?

Porque o cálculo gera três números com oito, seis e três possibilidades. Multiplicando, 8 × 6 × 3, chega-se a 144 combinações, e cada uma tem o seu texto no livro.

É a mesma coisa que o saju?

Não. O saju analisa os seus oito caracteres para descrever o seu temperamento e os seus ciclos de vida. O Tojeong Bigyeol é mais simples e se concentra no ano que começa, com mensagens para cada mês.

Fontes

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